quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Lua Cheia

Queria falar de insônia. Mas o que tenho é saudade: dessas que te acordam no meio da madrugada num repente e nem pede licença pra ficar. Olho o tempo que ainda falta, e percebo que é muito, muito tarde. As desculpas na palma das mãos; caminhava pelas velhas histórias e não me preocupava em escrever outra. Agarro fragmentos do que restou e apresento ao meu você. Os sentidos adormecem. Não caminho, mas os passos diminuem tanto quanto os pensamentos, amargos e exagerados. E eles se vão... para longe sem cobrir uma gota mais de felicidade. As sensações passaram a prevalecer: almejo prazer e tudo que dele advém. E desde então os dias passam... horas correm com tanto afinco que me perco tentando encontrar um minuto apenas para tua boca percorrer meu céu. Desculpe, mais uma vez, as excessivas e obcenas palavras; Meu eu permanece devastado por imperativos. E sem eles, não existo. Sem eles nem sem essa lembrança de pernas entrelaçadas e mãos ociosas. Meu corpo será aquecido por um outro. Sentirá falta do teu... Mas ele saberá me levar no embalo da canção tão bem que por um momento esquecerei do que me falta[va]. Quando a tua solidão não mais for suficiente, perceberá no vazio que ainda lhe restar, o adeus no silêncio dos passos no corredor, na cama mal feita, na preguiça da madrugada, no café não-feito, nos abraços [des]esperados... tudo que não mudará.

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