quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quem procura, acha


Não dormia, e só acordava como quem queria colocar o travesseiro entre as pernas e apertá-lo contra o peito. As manhãs eram tão longas como as breves noites que passava pintando as estrelas do céu. Um, só precisava de um motivo que me fizesse acordar e ver pássaros pela fresta da janela. Todo dia parecia noite, e nenhuma noite era dia. Até sentia o calor de um sol escaldante ao me desejar "bom dia" ás 3h42m da tarde. Banho frio, e nenhuma roupa que combinasse com o ajeitar desajeitado dos cabelos. Bebia dois, três copos de água para lembrar minhas necessidades. Trôpega, caminhava em direção ao quarto a procura do lençol mais próximo. Meus pensamentos oscilavam tanto quando [des]esperavam.
Peguei no sono, com o travesseiro entre as pernas e um ursinho contra o peito. Acordei antes do desespetador. Me dirigi ao espelho, lavei o rosto e fui. Lá, ouvia aquela canção "Who do you love" e ao meu lado, um pássaro também a cantava. Voltei pra casa e fiquei feliz de ver, novamente, meu sorriso cor-de-rosa estampado pelos quatro cantos da casa!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sonho final

Estava aqui, tentando não falar. Mas tenho pressa. O relógio não me deixa esperar. Tenho que correr... e não ando. Fico aqui, esperando o criador do todo e tudo que me é insuficiente. Pés juntos e joelhos inclinados: com duas estrelas nas mãos tento alcançar o ponto final. Não gosto ter de precisar de olhos e cabelos para me manter de pé. A brisa do mar leva a noite e assisto debruçada na janela da varanda. Meu descanso é teu sonho, e meu sono é teu despertar. Pega minha mão, põe na tua nuca e não diz que vai voltar enquanto toco teus lábios fazendo do meu desejo, um dever. E quando ficar frio, despimos toda essência do beija-flor. Verás até onde teu destino começa... e ele começará assim que te trazer o que já é teu. Perdão se me submeto ao encanto de escrever assim, em vogais minúsculas, é que a lua cheia não apareceu. E preciso dela... e de você, que só conheço versos rápidos em itálico. Mas tenho pressa. Não mais o relógio, talvez minha história querendo ser escrita pelo teu contorno não me deixa esperar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pensamentos... V







Se não temos algo,
é pra um dia não termos a tristeza de perder.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Borboleta

Porque lembrar aquele passado se você não tem certeza se foi feliz? Alguma coisa, ou alguém, ainda mexe com suas vibrações ao recordar beijos e abraços. E se pergunta se promessas foram abandonadas na estrela mais próxima que ilumina a janela do quarto. A canção que ouviu não sai de sua cabeça até cada verso te possuir, fazendo cada pulsação mais forte e sólida até te saltarem aos olhos. Não consegue sequer se sentir feliz por raros, breves momentos de tranquilidade a dois. Mas um hoje diferente não me faria feliz... não mais. Conduzo os pensamentos a alguém que poderia, e ainda pode estar aqui. Fico quase-feliz em saber que o bom e velho sentimento viria... se dependesse de mim. Não sou eu, nem ele que me fará [re]escrever trocadilhos com dois nomes. Talvez o destino... o acaso... o poema... o perfume... ou o tempo...

domingo, 19 de outubro de 2008

Pensamentos... IV

A gente muda:
...nossos pensamentos mudam,
nossos desejos aumentam,
nossos olhos se abrem...
mas o mundo continua o mesmo.





(Homenagem a aquela que esteve aqui quando precisei, novamente)

Impossibilidades

Ás vezes só precisamos saber se deixamos alguma saudade. Porque o escuro do quarto pede pela lembrança e um sorriso... como se tudo não passasse de uma fantasia desenhada com cera de giz. E ai podemos olhar pra frente sem medo de descobrir que não queremos saber o que nos espera na próxima curva. As velhas fotos só não podem -nem devem- nos acompanhar naquela caixa que tem nosso nome gravado como se fosse para lembrar quem somos. Numa madrugada cinza, com o sol em nossos pés, alcançar o travesseiro e colocá-lo contra o peito é a melhor maneira de ser feliz, sozinha. A esperança do quem sabe "um dia" enche o coração de... você, somente você. É só o que te basta: ser, permanecer e estar com você mesma. É tão simples que precisam complicar pra parecer fácil. Mas é simples, somente simples... e não fácil.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pensamentos... III






O esperto só é esperto porque finge que é burro!

domingo, 12 de outubro de 2008

Pensamentos... II







Não ama quando se pode e sim, quando se quer.

sábado, 11 de outubro de 2008

Reflexo

Chovia fino, fazia calor e meus passos se tornavam tortuosos a medida que tuas palavras se fixavam na lembrança. Depois da tarde de um quase-amor, o lápis aclamava pelas linhas que viriam a ser lidas vezes e mais vezes numa daquelas noites onde se poderia escrever sobre coisas tristes.
Nos beijávamos, como se tivéssemos a boca cheia de estrelas. Forçava o trecho onde teu pudor tecia as últimas defesas. Existia uma saliva onde um só sabor de fruta madura nos envolvia, enquanto nos afogávamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego. Se mordia, a dor era doce. Côncavos e convexos. Mãos que apalpam, que querem, que acariciam. Depois que beijava-me no cabelo, dava as costas e ía perder-se nos caminhos que via, somente via.
Silêncio. Gosto das perdas que me tiram tudo. Assim descubro que tenho forças para começar novamente. E agora só o ar me falta. Contenho o riso para retardar as palavras. Escrevo em maiúsculo que o pensamento gira ao redor de um nome. O coração bate mais forte pelo amanhã.

Ansias

Não te assustes: ela costuma encostar a solidão em teu peito só pra te sentir oscilar. Quando perde a razão, caminha. Nunca deu normas a esses pensamentos. Tem medo de cair no desconsolo de quem não sabe amar. Fica a te observar e é no contorno desse corpo delgado que gostaria de escorregar para o fim; o início de tudo. Mas não te espantes, ela jamais encostará os lábios nos teus se não quiseres ficar. Nem que seja por um momento, por ela. O tempo acentuado nas coisas a faz perder os sentidos e flexionar os joelhos, esperando tuas mãos tocarem sua pele devastada por imperativos. Prefere que o silêncio o leve para perto. As temíveis dúvidas ela empurra pra debaixo do tapete e espera a poeira baixar. Mas sabe, deduzindo pelo riso contido da última lembrança, que se sentirá mais vulnerável quando teus dedos tocarem as curvas de seu pescoço e suas pernas abraçarem sua cintura. Essa paz ela só traz quando escreve. Não te assustes caso perca o rumo e se pegue contando no não-tempo as horas para poder rever a primavera nos olhos dela. Desejo; não é só por isso é que seu corpo tenciona. Ela quer sentir falta sem ter saudade. Poder dizer Nunca estando com um pé no Sempre. Emoldurar um ou até dois gemidos na parede do quarto. Poder estender o riso e tocar teu querer. Ela nunca sabe o que tua voz aclama, mas sempre acerta quando te envolve nos olhos. E o que não sabe evitar desconta nas palavras.

[in]significância

É tarde...

Sinto os passos vacilarem
e a razão declinar
Esperei demais pra querer.

Nos teus olhos, verdes e espelhados
não me reconhecia
[a]tiravas o mundo aos meus pés.

Com os traços da barba,
fortes e malfeitos
minhas mãos gostariam de conversar.

Mas é tarde...

Mirei no estranho conhecido
joguei o diário janela a fora
E dela, pude te ver dançar.

Uma vez, e agora sempre assim
lamento mais do que tento
não calejar tanto a visão.

Intagível a palma da mão,
és minha verdade
que só se arrancaria se houvesse outra.

E já é tarde, muito tarde...

Enquanto polia pedras
a vida veio para lhe deixar
E agora sigo amando... absurdos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Diferente.

Não me acostumei com esses momentos que não deixam esperar um próximo. Sou eu, e nem o mundo conseguiu mudar isso... Nem você, que me pede pra ficar e vai. Com todo sua graça de sorrir depois do beijo, rouba um pedaço de mim que tão cedo não retornará para minhas mãos. E me tira o sono a lembrança de uma certeza apenas: um futuro e seus olhos lá, procurando tudo... menos a mim. Não quero muito. Nunca quis. Mas acontece que ainda não me acostumei com esses momentos que não deixam esperar um próximo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pensamentos...

E, talvez, se
fossémos nós
eu inventaria o mundo...
ou ele ja existiria
se fossémos eu e você?

domingo, 5 de outubro de 2008

É lá.

Gosto daqueles olhares que não sabem que se querem,
do vento que faz a folha cair,
do mar que se perde no horizonte, do sorrir acanhado,
do céu esverdiado,
do tempo que não passou,
da simplicidade do pensamento... gosto desse gosto de mim.
E assim, como quem quer espantar o vazio,
gosto de tudo que se torna interessante ao me perguntarem quando irei te encontrar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Desvaneios

Já tinha esquecido o gosto de ser feliz. Me subtrai tentando alcançar mãos que se recusavam a permanecer entrelaçadas. Juntei pedaços esquecidos, e eles foram lembrados. Mas depois que disse pouco, o olhar não mentia. E quase tinha esquecido desse gosto adocicado. Guardei aquelas canções só para achar o caminho de casa. É que minha verdade, junto com a sua, não consegue se entender. Mentimos então, e uma enxurrada de verdades desnecessárias desabará sobre nossas cabeças. Não, melhor nos afastarmos ou as mentiras se tornarão [as únicas] verdades. Odeio todo meu sentimentalismo barato. Odeio mais ainda te querer com essa sua solidão estampada na parede do quarto. Quem me dera poder ir tão longe... tão longe quanto meu pensamento. Sorrir pra você era padecer na plena existência. E no canto do mundo, o tempo. "Nunca mais" passou a ser pouco pra mim, só pra não saber onde o céu azul irá terminar. Está tudo bem assim: quando suspiro, pode me ver retomando o fôlego. É que certos beijos me tiram o ar... e mais tarde, o sono. Debruçada num livro, os sonhos veem. E está tudo bem, assim.