quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Desvaneios

Já tinha esquecido o gosto de ser feliz. Me subtrai tentando alcançar mãos que se recusavam a permanecer entrelaçadas. Juntei pedaços esquecidos, e eles foram lembrados. Mas depois que disse pouco, o olhar não mentia. E quase tinha esquecido desse gosto adocicado. Guardei aquelas canções só para achar o caminho de casa. É que minha verdade, junto com a sua, não consegue se entender. Mentimos então, e uma enxurrada de verdades desnecessárias desabará sobre nossas cabeças. Não, melhor nos afastarmos ou as mentiras se tornarão [as únicas] verdades. Odeio todo meu sentimentalismo barato. Odeio mais ainda te querer com essa sua solidão estampada na parede do quarto. Quem me dera poder ir tão longe... tão longe quanto meu pensamento. Sorrir pra você era padecer na plena existência. E no canto do mundo, o tempo. "Nunca mais" passou a ser pouco pra mim, só pra não saber onde o céu azul irá terminar. Está tudo bem assim: quando suspiro, pode me ver retomando o fôlego. É que certos beijos me tiram o ar... e mais tarde, o sono. Debruçada num livro, os sonhos veem. E está tudo bem, assim.

Um comentário:

Fiódor Dostpievsky disse...

Muito bom! Muito bom mesmo! Há um requinte nesse texto que está associado com uma subjetividade muito grande.MAs uma subjetividade de muito boa qualidade;)