sábado, 11 de outubro de 2008

Ansias

Não te assustes: ela costuma encostar a solidão em teu peito só pra te sentir oscilar. Quando perde a razão, caminha. Nunca deu normas a esses pensamentos. Tem medo de cair no desconsolo de quem não sabe amar. Fica a te observar e é no contorno desse corpo delgado que gostaria de escorregar para o fim; o início de tudo. Mas não te espantes, ela jamais encostará os lábios nos teus se não quiseres ficar. Nem que seja por um momento, por ela. O tempo acentuado nas coisas a faz perder os sentidos e flexionar os joelhos, esperando tuas mãos tocarem sua pele devastada por imperativos. Prefere que o silêncio o leve para perto. As temíveis dúvidas ela empurra pra debaixo do tapete e espera a poeira baixar. Mas sabe, deduzindo pelo riso contido da última lembrança, que se sentirá mais vulnerável quando teus dedos tocarem as curvas de seu pescoço e suas pernas abraçarem sua cintura. Essa paz ela só traz quando escreve. Não te assustes caso perca o rumo e se pegue contando no não-tempo as horas para poder rever a primavera nos olhos dela. Desejo; não é só por isso é que seu corpo tenciona. Ela quer sentir falta sem ter saudade. Poder dizer Nunca estando com um pé no Sempre. Emoldurar um ou até dois gemidos na parede do quarto. Poder estender o riso e tocar teu querer. Ela nunca sabe o que tua voz aclama, mas sempre acerta quando te envolve nos olhos. E o que não sabe evitar desconta nas palavras.

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